Picnic com Pedro Capão

Estivemos à conversa com Pedro Capão, fundador da empresa TOOBRAA, durante um picnic, uma das muitas actividades promovidas por esta empresa de animação turística.

Esta empresa é parceira da Despensa Franciscana desde o primeiro dia, reiterando que as boas parcerias são excelentes fontes de partilha e de ajuda entre todas as partes envolvidas.

DF: Pedro como é que tudo começou e de onde nasceu a ideia de criar uma empresa de animação turística no Alto Alentejo?

PC: Olá a todos! Antes de mais, um agradecimento especial à Despensa Franciscana pelo convite para esta entrevista, dando hipóteses a mais gente de conhecer o nosso trabalho. Bem, respondendo à tua pergunta, em Outubro de 2019 decidi regressar ao Alto Alentejo depois de 10 anos a trabalhar em Évora e Lisboa. A ideia era criar o meu próprio emprego, utilizando todo o know-how que adquiri ao longo dos anos em prol da região e do Turismo, as minhas grandes paixões profissionais. Pensei em vários negócios, um alojamento local, um pequeno restaurante e por fim, uma empresa de animação turística. Após um estudo de mercado exaustivo, a animação turística prevaleceu e foi aí que avancei com tudo (falamos de Dezembro 2019 /Janeiro de 2020). O Alto Alentejo é ainda um “diamante em bruto”, no que diz respeito ao turismo, e as oportunidades são vastas para quem decidir arriscar e apostar num produto diferenciado nesta área. Com os devidos apoios e também com uma mentalidade certa, a TOOBRAA nasce para servir todo o Alto Alentejo.

DF: E quais os passos que deste para chegar até aqui ou o teu percurso de vida?

PC: Desde 2002 que estou ligado ao Turismo e à Restauração quando iniciei a minha formação na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa. Passei por vários restaurantes e hotéis nacionais (Altis Grand Hotel, Hotel Mundial, CS São Rafael, Convento do Espinheiro, Convento d’Alter, Myriad by SANA, Chiado16, Santiago de Alfama, entre outros.) onde tive oportunidade de aprender com os melhores do ramo. No Convento do Espinheiro tive a grande oportunidade de me iniciar nas visitas guiadas dentro do Hotel e também na informação turística aos clientes como Guest Relations o que me fortaleceu no contacto com o cliente. Sou um falador nato e um contador de estórias e, acima de tudo, adoro as minhas raízes e aquilo que faço. Todos os dias aprendo algo novo com os parceiros, com os locais e clientes e isso mantém este projecto em funcionamento e em constante evolução.

DF: Enquanto empresário sentiste alguma dificuldade por te estabeleceres no interior?

PC: A criação de um negócio requer sempre algum risco e também uma pequena dose de loucura da nossa parte. Estabelecer o mesmo no Alto Alentejo até foi fácil, no entanto, senti e ainda sinto alguma apreensão por parte de algumas entidades publicas e até privadas em apoiar algo (turismo) que será o futuro desta região. Houve também um impacto inicial com o nosso modus operandi, visto que este era muito diferente daquilo a que todos estavam habituados…o nosso ritmo, ideias e vontade de fazer algo pela região (e pela animação turística) chocou contra algumas mentalidades que julgo já se terem convertido e que hoje acreditam no nosso projecto. Fizemos, e ainda estamos a fazer, um trabalho de fundo com todos os agentes turísticos e empresários com quem colaboramos de modo a estarmos todos alinhados no mesmo objectivo, o sucesso conjunto dos nossos negócios, o crescimento do turismo de qualidade na região e a satisfação do cliente final.

DF: Que tipo de experiências tens para oferecer aos clientes?

PC: Nós tentamos sempre conhecer o nosso cliente primeiro (quando é possível) de modo a construirmos uma experiência que supere sempre as suas expectativas. No entanto, como empresa ligada ao mundo rural, à natureza e às tradições, temos actividades que possibilitam ao cliente meter literalmente a mão na massa como é o caso do nosso workshop de Olaria Tradicional, a apanha de produtos silvestres e micológicos (como é o caso da túbera, a inspiração para o nome da nossa marca), workshop de Pão Alentejano em forno de lenha ou um workshop de sabonetes naturais. Fazemos também várias visitas temáticas no nosso 4×4, sendo as mais solicitadas as que passam nas Cascatas de São Mamede, na Judiaria de Castelo de Vide ou a nossa imersão megalítica ou medieval em diferentes Municípios. Quanto a actividades gastronómicas e vínicas, os nossos piqueniques, em parceria com a Despensa Franciscana, são um ex-líbris regional e as visitas às Adegas indispensáveis. Dispomos também de alguns passeios de BTT para famílias ou grupos, passeios de balão de ar quente, caminhadas várias e diversas actividades com parceiros regionais que manterão os turistas da região animados durante a sua estadia.

DF: Como defines a tua empresa?

PC: Com o intuito de não ser apenas um negócio puro e duro, a nossa empresa tem também uma responsabilidade e visão social, promotora e formativa muito vincada no seu ADN, com o objectivo de não deixar cair no esquecimento algumas tradições seculares da região como é o caso da olaria de Flor da Rosa, a apanha da túbera ou a produção de pão tradicional alentejano em forno de lenha. Somos uma empresa que pretende deixar a sua marca no Alto Alentejo, ajudando ao crescimento gradual do turismo de qualidade e de proximidade com o verdadeiro património da região, as pessoas.

DF: Estabelecer parcerias, como foi o caso da Despensa Franciscana, é importante para o teu tipo de negócio?

PC: Como já disse anteriormente, aprendemos todos os dias com os nossos parceiros e, como tal, a criação destas parcerias é factor chave para o sucesso dos nossos negócios. Felizmente, as mentalidades vão-se alterando e as parcerias sendo mais dinâmicas e reais, possibilitando ao cliente final uma experiência mais abrangente e de grande qualidade. Com a Despensa Franciscana temos feito trabalhos fantásticos no que diz respeito às ofertas gastronómicas e piqueniques que realizamos na região, uma aposta de sucesso que desejamos manter e aprimorar.

DF: E o que podemos esperar para o futuro através da empresa TOOBRAA?

PC: Dadas as circunstâncias e conjuntura actuais, o futuro ainda é incerto a nível mundial. No entanto, manteremos a mesma linha de pensamento sustentável e virado para as gentes e tradições locais com vista ao desenvolvimento turístico regional. Quanto aos objetivos, desejamos ser a maior e melhor empresa de animação turística do Alto Alentejo nos próximos 5 anos.


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